Antifragilidade política

Algumas semanas atrás houve uma polêmica envolvendo o prefeito atual (2019) do Rio: ele decidiu que era improprio alguns gibis da Marvel estarem expostos — para que as pessoas possam folhear, etc. — e mandou confiscar, em um ato de censura.

Enfim, todos conhecem este caso. Ele entrou para os anais da história do Brasil. Alias, é estranhamente apropriado que um episódio tão Machadiano entre para a história desta trágica nação.

Mas não é sobre o caso em si que quero falar, mas sim de um fenômeno que ocorreu no caso.

É lugar comum dizer que informação é antifrágil — alias, isto é dito no próprio livro que nomeia o conceito — e que, portanto, a censura ajuda na sua propagação.

Mas me parece não tão comum a observação que a posição política também é antifrágil: o ato da censura não foi somente um ataque à informação, mas à um grupo, que respondeu a altura. Os seus membros se uniram e suas convicções foram firmadas.

Houve a resposta à censura. O outro lado — aquele que apoia o prefeito, pois há sim, afinal, houve um cálculo político na ação — por sua vez, se sentindo atacado redobra as suas convicções.

E as posições se repelem. E ficam mais extremas, se opondo. O eterno Jair-Jean.

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